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Intermediário / Problemas sociais do Brasil

Trânsito: por que o Brasil mata tanto nas ruas

Mais de 30 mil mortes por ano, motos, velocidade, álcool e a política por trás dos radares, das multas e do transporte público.

IntermediárioBrasilPerigos3 min de leitura

O trânsito mata no Brasil mais de 30 mil pessoas por ano, segundo os registros de óbitos do Ministério da Saúde, e deixa centenas de milhares feridas, muitas com sequelas para a vida toda. É uma das principais causas de morte de jovens. Não é azar nem destino: a maior parte dessas mortes tem causas conhecidas e soluções testadas. E quase todas passam por decisões políticas, da velocidade da avenida ao ônibus que não passa.

Nesta lição, você vai

  • Conhecer o tamanho das mortes no trânsito no Brasil e quem mais morre
  • Saber o que cabe à União, aos estados, aos municípios e a cada motorista
  • Avaliar a disputa política sobre radares, multas e transporte público

Ajuda ter lido: Políticas públicas e orçamento, Impunidade: por que tantos crimes ficam sem resposta.

Uma analogia

Uma estrada é como uma corda bamba que muita gente atravessa ao mesmo tempo. Todo mundo erra às vezes. A diferença entre um país que mata muito e um que mata pouco é se existe rede embaixo: velocidade menor, travessia segura e fiscalização que fazem o erro virar susto, e não enterro.

Explicando para uma criança

Carro e moto andam muito rápido e são muito pesados. Por isso existem regras, como parar no sinal e não correr perto da escola. Quando os adultos respeitam essas regras, as crianças podem atravessar a rua sem perigo.

Antes de ler: o que você faria?

Um candidato promete acabar com a “indústria da multa” e retirar os radares da cidade, dizendo que eles só servem para arrecadar.

O que a evidência diz? O que você perguntaria a ele?

Ver o que a lição responde

Fiscalização constante e velocidade menor reduzem mortes. Multas injustas devem ser contestadas, mas tirar radares tende a aumentar acidentes. Pergunte quantas mortes houve nos pontos com radar antes e depois. A lição mostra os dados.

Quem morre e por quê

  • Motociclistas: são hoje o grupo que mais morre. A frota de motos cresceu muito, com entregas e transporte por aplicativo, e o corpo do motociclista não tem proteção.
  • Pedestres e ciclistas: morrem sobretudo em atropelamentos em vias rápidas que cortam bairros, sem travessia segura.
  • Velocidade: segundo a OMS, cada 1% a mais na velocidade média aumenta em cerca de 4% o risco de acidente fatal. Um atropelamento a 30 km/h costuma ter sobrevivente; a 60 km/h, raramente.
  • Álcool: a Lei Seca, de 2008, endurecida em 2012 com tolerância zero, reduziu mortes onde houve fiscalização constante.
  • Celular e cansaço: distração e jornadas longas, comuns entre caminhoneiros e entregadores, aparecem com frequência nas causas.

Quem é responsável pelo quê

QuemO que faz
UniãoFaz o Código de Trânsito, comanda o Contran e a Polícia Rodoviária Federal e cuida das rodovias federais
EstadosDetran, habilitação, rodovias estaduais e policiamento
MunicípiosVelocidade das ruas, sinalização, faixas, calçadas, ciclovias, fiscalização urbana e transporte coletivo
VocêRespeitar a velocidade, não beber e dirigir, largar o celular e respeitar o pedestre

A política dos radares e das multas

O trânsito vira disputa política com frequência. O discurso da “indústria da multa” é popular, e governos já reduziram a fiscalização: em 2019, o governo federal suspendeu os radares móveis nas rodovias federais, e a Justiça mandou que voltassem. Em 2020, uma lei dobrou para 40 o número de pontos para suspender a carteira de quem não comete infração gravíssima. Em São Paulo, a redução dos limites nas marginais em 2015 foi seguida de queda de acidentes, segundo a companhia de trânsito da cidade, e a volta dos limites mais altos, promessa da campanha de 2016, veio em 2017.

A evidência é clara num ponto: fiscalização constante, velocidade menor em áreas com pedestres e engenharia que perdoa o erro humano salvam vidas. A Suécia adotou em 1997 a Visão Zero, a ideia de que nenhuma morte no trânsito é aceitável, e passou a desenhar ruas e estradas para que um erro não termine em morte. Multa mal aplicada existe, e deve ser contestada, mas o problema brasileiro não é excesso de fiscalização.

Transporte público também é segurança

Ônibus lotado, demorado e caro empurra as pessoas para a moto e o carro, e mais veículos nas ruas significam mais acidentes, mais trânsito e mais poluição. Investir em transporte coletivo, calçadas e ciclovias é política de saúde pública. Veja o debate sobre transporte público gratuito.

O custo para todos

Cada morte e cada sequela custam atendimento no SUS, previdência, produtividade perdida e dor para as famílias. O Ipea estimou que os acidentes nas rodovias custam ao país dezenas de bilhões de reais por ano. O trânsito também é um bom exemplo de como hábitos individuais viram problema coletivo, como mostra a lição Para o bem e para o mal.

Erro comum: “Acidente é fatalidade.” A maior parte das mortes tem causas conhecidas, como velocidade, álcool e vias sem travessia, e soluções testadas. Chamar de fatalidade tira a responsabilidade de quem pode mudar a rua.
Pratique: Quem faz o quê?. Um problema, sete cargos. Você sabe quem cobrar?

Para guardar

  • O trânsito mata mais de 30 mil pessoas por ano no Brasil; motociclistas são o grupo que mais morre.
  • Velocidade, álcool e distração são as causas mais conhecidas, e fiscalização constante reduz mortes.
  • Transporte público bom, calçadas e ciclovias também são política de segurança e de saúde.

Para pensar

Na rua onde você mora, o que tornaria a travessia mais segura? A quem você pediria isso?

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