“Fulano aprovou 50 projetos.” Parece prova de bom trabalho, mas o número sozinho não diz o que os projetos fazem, nem a quem servem. É como avaliar um médico pelo número de receitas, sem perguntar se os pacientes melhoraram.
Nesta lição, você vai
- Entender por que o número de projetos engana
- Comparar dois deputados além da contagem
- Saber o que olhar no lugar
Ajuda ter lido: Como votar da melhor forma.
Uma analogia
Avaliar um deputado pelo número de projetos é como avaliar um médico pelo número de receitas. Ele pode receitar muito e curar pouco, ou fazer uma única cirurgia que salva vidas. O que conta é o que aconteceu com os pacientes.
Explicando para uma criança
Imagine duas crianças em uma competição de desenhos. Uma faz 50 rabiscos, e a outra faz 3 desenhos lindos. Quem fez mais desenhos não é, por isso, quem desenhou melhor. Com políticos é parecido: fazer muitos projetos não quer dizer que foram bons.
Antes de ler: o que você faria?
Dois deputados: um aprovou 50 projetos (datas comemorativas, nomes de viadutos); outro aprovou 3 e votou contra todas as medidas que seu financiador queria.
Qual trabalhou melhor? Por que o número engana?
Ver o que a lição responde
O número não diz se a lei era boa, importante ou de interesse público. A lição mostra o que olhar no lugar: como vota, que interesses defende, o que relata.
Por que o número engana
- Quantidade não é conteúdo. Um projeto pode dar nome a uma rua ou criar um “dia de” alguma coisa. Outro pode mudar a vida de milhões. Na contagem, valem o mesmo.
- Lei ruim também conta. Quem aprova muitos projetos que favorecem um setor às custas de todos sobe no ranking e piora o país.
- Aprovar depende de poder, não só de mérito. Ajuda estar na base do governo, em um partido grande ou em bons cargos. Um oposicionista pode ter boas ideias e ver todas barradas.
- O Executivo pesa muito. Figueiredo e Limongi mostraram que, no Brasil pós-1988, o governo domina a agenda e é autor de boa parte das leis aprovadas. Assim, parlamentares têm poucas leis em seu nome, mesmo trabalhando muito.
- Autoria esconde o trabalho real. O relator muitas vezes reescreve o texto. Quem barrou um projeto ruim não ganha ponto nenhum.
- Vira incentivo errado. Se o eleitor premia o número, o político apresenta projetos em massa, muitos só para a foto.
Compare dois deputados
| Deputado A | Deputada B | |
|---|---|---|
| Projetos aprovados | 32 | 2 |
| O que aprovaram | 28 homenagens e nomes de vias; 4 benefícios a um setor que financiou a campanha | Regras para reduzir a mortalidade materna; transparência em emendas |
| Como votou | Contra a transparência | A favor, inclusive contra o próprio partido |
| Fiscalização | Nenhuma | Relatou uma CPI e barrou um gasto irregular |
Exemplo fictício. No ranking de quantidade, A ganha de longe.
O que olhar no lugar
- Que interesses defende? Quem financiou a campanha e quem ganha com suas pautas? Veja no DivulgaCandContas.
- Como vota? É o dado mais importante. O voto mostra de que lado a pessoa fica quando há conflito. Veja na Câmara, no Senado e em como os partidos votaram.
- O que propõe? Leia as propostas, inclusive as que não passaram. Elas resolvem um problema real? Com quais evidências?
- Para onde vão suas emendas? Dinheiro público também revela prioridades.
- Fiscaliza? CPIs, relatorias e pedidos de informação contam.
- É coerente? O que disse na campanha bate com o que fez no mandato?
Para guardar
- Aprovar 50 projetos não diz se eram bons, nem a quem serviam.
- Olhe como votou, que interesses defende, que emendas enviou e para quem.
- Projeto de dia comemorativo e lei que muda a vida das pessoas contam igual na estatística.
Para pensar
Você sabe como o seu deputado votou nos três projetos mais importantes do ano?
Teste rápido · 1 de 3
Aplique · 2 de 3
Confira · 3 de 3