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O perigo de avaliar políticos por projetos aprovados

“Aprovou 50 projetos” não diz se fez bem ou mal. Veja que interesses defende e como vota.

IntermediárioPerigosBrasil3 min de leitura

“Fulano aprovou 50 projetos.” Parece prova de bom trabalho, mas o número sozinho não diz o que os projetos fazem, nem a quem servem. É como avaliar um médico pelo número de receitas, sem perguntar se os pacientes melhoraram.

Nesta lição, você vai

  • Entender por que o número de projetos engana
  • Comparar dois deputados além da contagem
  • Saber o que olhar no lugar

Ajuda ter lido: Como votar da melhor forma.

Uma analogia

Avaliar um deputado pelo número de projetos é como avaliar um médico pelo número de receitas. Ele pode receitar muito e curar pouco, ou fazer uma única cirurgia que salva vidas. O que conta é o que aconteceu com os pacientes.

Explicando para uma criança

Imagine duas crianças em uma competição de desenhos. Uma faz 50 rabiscos, e a outra faz 3 desenhos lindos. Quem fez mais desenhos não é, por isso, quem desenhou melhor. Com políticos é parecido: fazer muitos projetos não quer dizer que foram bons.

Antes de ler: o que você faria?

Dois deputados: um aprovou 50 projetos (datas comemorativas, nomes de viadutos); outro aprovou 3 e votou contra todas as medidas que seu financiador queria.

Qual trabalhou melhor? Por que o número engana?

Ver o que a lição responde

O número não diz se a lei era boa, importante ou de interesse público. A lição mostra o que olhar no lugar: como vota, que interesses defende, o que relata.

Por que o número engana

  • Quantidade não é conteúdo. Um projeto pode dar nome a uma rua ou criar um “dia de” alguma coisa. Outro pode mudar a vida de milhões. Na contagem, valem o mesmo.
  • Lei ruim também conta. Quem aprova muitos projetos que favorecem um setor às custas de todos sobe no ranking e piora o país.
  • Aprovar depende de poder, não só de mérito. Ajuda estar na base do governo, em um partido grande ou em bons cargos. Um oposicionista pode ter boas ideias e ver todas barradas.
  • O Executivo pesa muito. Figueiredo e Limongi mostraram que, no Brasil pós-1988, o governo domina a agenda e é autor de boa parte das leis aprovadas. Assim, parlamentares têm poucas leis em seu nome, mesmo trabalhando muito.
  • Autoria esconde o trabalho real. O relator muitas vezes reescreve o texto. Quem barrou um projeto ruim não ganha ponto nenhum.
  • Vira incentivo errado. Se o eleitor premia o número, o político apresenta projetos em massa, muitos só para a foto.

Compare dois deputados

Deputado ADeputada B
Projetos aprovados322
O que aprovaram28 homenagens e nomes de vias; 4 benefícios a um setor que financiou a campanhaRegras para reduzir a mortalidade materna; transparência em emendas
Como votouContra a transparênciaA favor, inclusive contra o próprio partido
FiscalizaçãoNenhumaRelatou uma CPI e barrou um gasto irregular

Exemplo fictício. No ranking de quantidade, A ganha de longe.

O que olhar no lugar

  1. Que interesses defende? Quem financiou a campanha e quem ganha com suas pautas? Veja no DivulgaCandContas.
  2. Como vota? É o dado mais importante. O voto mostra de que lado a pessoa fica quando há conflito. Veja na Câmara, no Senado e em como os partidos votaram.
  3. O que propõe? Leia as propostas, inclusive as que não passaram. Elas resolvem um problema real? Com quais evidências?
  4. Para onde vão suas emendas? Dinheiro público também revela prioridades.
  5. Fiscaliza? CPIs, relatorias e pedidos de informação contam.
  6. É coerente? O que disse na campanha bate com o que fez no mandato?
Para guardar: a pergunta não é “quantos projetos aprovou?”, e sim “a favor de quem, e com que efeito?”. Vale o mesmo para rankings de políticos e notas prontas: veja quais critérios usam, porque todo critério carrega valores.
Erro comum: “Deputado que aprova muito é deputado que trabalha.” Aprovar datas comemorativas é fácil; relatar uma reforma difícil ou votar contra o próprio financiador é trabalho que não aparece no número. O critério é o conteúdo, não a contagem.
Pratique: Como os partidos votaram. Dados oficiais da Câmara, partido por partido, em votações decisivas.

Para guardar

  • Aprovar 50 projetos não diz se eram bons, nem a quem serviam.
  • Olhe como votou, que interesses defende, que emendas enviou e para quem.
  • Projeto de dia comemorativo e lei que muda a vida das pessoas contam igual na estatística.

Para pensar

Você sabe como o seu deputado votou nos três projetos mais importantes do ano?

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