Em 2006, o psicólogo Drew Westen mostrou a eleitores fortemente partidários declarações contraditórias de políticos, enquanto media a atividade do cérebro. Eles viam logo a contradição no candidato adversário, e minimizavam a do próprio.
Nesta lição, você vai
- Reconhecer o raciocínio motivado no estudo de Westen
- Entender por que temos vieses
- Ver como eles atuam em uma eleição
Ajuda ter lido: Sair do nós contra eles.
Uma analogia
É como torcer no futebol: o pênalti contra o seu time quase nunca foi pênalti, e o contra o adversário foi claro. A jogada é a mesma, e o que muda é a camisa. Na política, nosso cérebro age como esse torcedor sem nos avisar.
Explicando para uma criança
Quando seu amigo faz uma bagunça, você pensa “foi sem querer”. Quando é alguém de quem você não gosta, pensa “foi de propósito”. Nossa cabeça faz isso sozinha, e aprender sobre esse truque ajuda a ser mais justo.
Antes de ler: o que você faria?
Seu candidato é flagrado numa contradição. Você pensa: “foi tirado de contexto”. O adversário faz o mesmo e você pensa: “sempre soube que era assim”.
O que aconteceu? Como se chama?
Ver o que a lição responde
Raciocínio motivado e viés de confirmação: avaliamos a evidência conforme o lado. A lição explica por que temos vieses, como atuam numa eleição e o que ajuda.
O exame mostrou que o processo não se parecia com raciocínio frio: envolvia áreas ligadas à emoção, e resolver a contradição a favor do próprio lado parecia recompensador. Chama-se raciocínio motivado. Não pensamos como juízes, mas como advogados do que já queremos.
| Viés | O que faz | Na política |
|---|---|---|
| Confirmação | Procura o que confirma | Você só lê quem pensa igual |
| Grupo interno | Favorece os seus | Escândalo dos outros é crime; o seu é perseguição |
| Efeito halo | Uma qualidade contamina o resto | “É honesto, então a proposta é boa” |
| Dunning-Kruger | Pouco conhecimento, muita certeza | Respostas fáceis para problemas difíceis |
| Disponibilidade | O que vem à mente parece frequente | Superestimar o crime que apareceu na TV |
| Falso consenso | “Todo mundo pensa como eu” | Surpresa com o resultado da eleição |
Ser inteligente não protege. Dan Kahan encontrou que pessoas boas em matemática podem usar essa habilidade para interpretar dados de forma a favorecer seu lado.
Veja a seção completa de vieses cognitivos, com seus efeitos no pensamento moral e político.
O que ajuda
- Teste de troca: se o outro lado fizesse isso, o que você diria?
- Humildade intelectual: “posso estar errado, e como eu saberia?”
- Previsões: quem apostou no resultado errado precisa revisar.
- Pessoas discordantes: siga quem pensa diferente com boa-fé.
Por que temos vieses
Vieses não são defeito de gente burra. O cérebro usa atalhos porque não dá para analisar tudo, e eles costumam funcionar no dia a dia. O problema aparece em questões complexas e carregadas de identidade, como a política, em que errar quase não custa nada a cada eleitor e concordar com o grupo traz recompensa imediata.
Como eles atuam em uma eleição
- Antes de ler: escolhemos fontes que já concordam conosco.
- Ao ler: examinamos com rigor o que nos contraria e aceitamos sem pensar o que nos agrada.
- Ao lembrar: guardamos melhor os escândalos do outro lado.
- Ao votar: a sensação sobre o candidato pesa mais do que o programa.
Para guardar
- Vemos a contradição do adversário na hora, e desculpamos a do nosso lado.
- Vieses não são burrice: são atalhos que todo cérebro usa.
- O antídoto é o hábito: aplicar ao seu lado a régua que usa no outro.
Para pensar
Quando foi a última vez que você criticou publicamente um erro de alguém do seu próprio lado?
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