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Intermediário / Como a mente nos engana

Como os vieses afetam seu julgamento

Vemos as contradições do adversário com facilidade. As de quem gostamos, quase nunca.

IntermediárioMente e vieses3 min de leitura

Em 2006, o psicólogo Drew Westen mostrou a eleitores fortemente partidários declarações contraditórias de políticos, enquanto media a atividade do cérebro. Eles viam logo a contradição no candidato adversário, e minimizavam a do próprio.

Nesta lição, você vai

  • Reconhecer o raciocínio motivado no estudo de Westen
  • Entender por que temos vieses
  • Ver como eles atuam em uma eleição

Ajuda ter lido: Sair do nós contra eles.

Uma analogia

É como torcer no futebol: o pênalti contra o seu time quase nunca foi pênalti, e o contra o adversário foi claro. A jogada é a mesma, e o que muda é a camisa. Na política, nosso cérebro age como esse torcedor sem nos avisar.

Explicando para uma criança

Quando seu amigo faz uma bagunça, você pensa “foi sem querer”. Quando é alguém de quem você não gosta, pensa “foi de propósito”. Nossa cabeça faz isso sozinha, e aprender sobre esse truque ajuda a ser mais justo.

Antes de ler: o que você faria?

Seu candidato é flagrado numa contradição. Você pensa: “foi tirado de contexto”. O adversário faz o mesmo e você pensa: “sempre soube que era assim”.

O que aconteceu? Como se chama?

Ver o que a lição responde

Raciocínio motivado e viés de confirmação: avaliamos a evidência conforme o lado. A lição explica por que temos vieses, como atuam numa eleição e o que ajuda.

O exame mostrou que o processo não se parecia com raciocínio frio: envolvia áreas ligadas à emoção, e resolver a contradição a favor do próprio lado parecia recompensador. Chama-se raciocínio motivado. Não pensamos como juízes, mas como advogados do que já queremos.

ViésO que fazNa política
ConfirmaçãoProcura o que confirmaVocê só lê quem pensa igual
Grupo internoFavorece os seusEscândalo dos outros é crime; o seu é perseguição
Efeito haloUma qualidade contamina o resto“É honesto, então a proposta é boa”
Dunning-KrugerPouco conhecimento, muita certezaRespostas fáceis para problemas difíceis
DisponibilidadeO que vem à mente parece frequenteSuperestimar o crime que apareceu na TV
Falso consenso“Todo mundo pensa como eu”Surpresa com o resultado da eleição

Ser inteligente não protege. Dan Kahan encontrou que pessoas boas em matemática podem usar essa habilidade para interpretar dados de forma a favorecer seu lado.

Veja a seção completa de vieses cognitivos, com seus efeitos no pensamento moral e político.

O que ajuda

  • Teste de troca: se o outro lado fizesse isso, o que você diria?
  • Humildade intelectual: “posso estar errado, e como eu saberia?”
  • Previsões: quem apostou no resultado errado precisa revisar.
  • Pessoas discordantes: siga quem pensa diferente com boa-fé.

Por que temos vieses

Vieses não são defeito de gente burra. O cérebro usa atalhos porque não dá para analisar tudo, e eles costumam funcionar no dia a dia. O problema aparece em questões complexas e carregadas de identidade, como a política, em que errar quase não custa nada a cada eleitor e concordar com o grupo traz recompensa imediata.

Como eles atuam em uma eleição

  1. Antes de ler: escolhemos fontes que já concordam conosco.
  2. Ao ler: examinamos com rigor o que nos contraria e aceitamos sem pensar o que nos agrada.
  3. Ao lembrar: guardamos melhor os escândalos do outro lado.
  4. Ao votar: a sensação sobre o candidato pesa mais do que o programa.
Cuidado com o atalho: dizer “isso é viés” não refuta ninguém. Saber sobre vieses pode virar arma para desqualificar os outros e esquecer os próprios. Use o conceito primeiro em você.
Erro comum: “Eu sou racional; o outro lado é que tem vieses.” Os vieses são universais e invisíveis para quem os tem; achar que só o outro lado os tem é, ele mesmo, um viés. O que muda com estudo é a capacidade de corrigir, não a imunidade.
Pratique: Teste de troca. Você julgaria o mesmo ato de quem você rejeita?

Para guardar

  • Vemos a contradição do adversário na hora, e desculpamos a do nosso lado.
  • Vieses não são burrice: são atalhos que todo cérebro usa.
  • O antídoto é o hábito: aplicar ao seu lado a régua que usa no outro.

Para pensar

Quando foi a última vez que você criticou publicamente um erro de alguém do seu próprio lado?

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