“Cada cultura tem sua moral, e ninguém pode julgar.” A frase soa tolerante. Mas, levada a sério, ela impede dizer que a escravidão era errada, que proibir mulheres de votar era injusto ou que perseguir minorias é mal. Por isso, quase ninguém consegue ser relativista até o fim.
Nesta lição, você vai
- Entender o que é relativismo moral e seus dois problemas
- Separar tolerância de relativismo
- Ver como a imparcialidade explica a expansão do círculo
Ajuda ter lido: Progresso moral e progresso político, Inclusão moral e sencientismo.
Uma analogia
Imagine um termômetro em que cada pessoa decide o número. Ninguém poderia dizer que está mais quente hoje do que ontem. O relativismo moral faz algo parecido com o certo e o errado: se tudo depende de quem olha, não existe melhorar nem piorar.
Explicando para uma criança
Se cada criança pudesse inventar a regra que quisesse, e ninguém pudesse dizer que bater no colega é errado, a escola viraria uma bagunça injusta. Algumas regras valem para todos, como não machucar os outros.
Antes de ler: o que você faria?
“Cada cultura tem sua moral; quem somos nós para julgar?” A frase é usada sobre uma prática que fere pessoas.
Se fosse verdadeira, o que diria sobre a abolição da escravidão? E sobre quem luta dentro da cultura?
Ver o que a lição responde
Diria que a abolição não foi avanço e que o reformador está sempre errado. A lição mostra por que tolerância não é relativismo e como a expansão do círculo segue um princípio, não uma moda.
O que é relativismo moral
É a ideia de que o certo e o errado dependem da cultura ou da pessoa, sem um critério que valha para todos. Há uma verdade nele: culturas diferem, e devemos ter humildade antes de julgar. Mas há dois problemas sérios:
- Não permite progresso: se a moral de cada época fosse correta por definição, a abolição e o voto feminino não seriam avanços, apenas mudanças. Veja progresso moral.
- Silencia as vítimas: quem sofre dentro de uma cultura também faz parte dela. Dizer “é a cultura deles” costuma dar razão a quem tem mais poder.
Tolerância não é relativismo
| Tolerância | Relativismo |
|---|---|
| Respeita pessoas e convive com diferenças | Nega que se possa julgar qualquer prática |
| Admite que podemos estar errados | Diz que ninguém está errado |
| Tem limites, como o dano a outros | Não tem critério para limites |
Na prática, quem defende o relativismo costuma defendê-lo como algo bom, o que já é um juízo moral que pretende valer para todos.
A imparcialidade e o círculo que se expande
Se não é tudo relativo, qual é o critério? Um dos mais fortes é a imparcialidade: casos iguais devem ser tratados de forma igual, a menos que haja uma diferença relevante. É ela que explica a expansão do círculo moral:
| Já ficou de fora | Por quê | A diferença era relevante? |
|---|---|---|
| Escravizados | Cor e origem | Não muda a capacidade de sofrer, pensar e querer |
| Mulheres | Sexo | Não muda a capacidade de decidir e participar |
| Pessoas LGBT | Orientação e identidade | Não prejudica ninguém |
| Estrangeiros | Local de nascimento | É loteria da vida |
| Animais | Espécie | A dor continua sendo dor. Veja o sencientismo |
Incluir minorias, então, não é um favor nem um capricho de um lado político. É a aplicação coerente de um princípio que quase todos já aceitam: não tratar alguém pior por uma característica que não tem relação com o que está em jogo.
As objeções sérias
- Quem decide o que é relevante? É uma pergunta difícil, e por isso pede argumentos públicos, e não só a vontade de quem manda.
- Universalismo já serviu ao colonialismo: é verdade. Mas a resposta a uma imposição injusta é uma imparcialidade mais coerente, e não o relativismo.
- Deveres especiais: temos laços com família e comunidade. Isso permite cuidar mais dos próximos, mas não tratar os outros como se não contassem.
Para guardar
- Se toda moral fosse relativa, a abolição não teria sido avanço, só mudança.
- Tolerância respeita pessoas e tem limites; relativismo nega que se possa julgar.
- Incluir minorias é aplicar um princípio que quase todos aceitam: não tratar pior por uma característica irrelevante.
Para pensar
Existe alguma prática de outra cultura que você considera errada em qualquer lugar? Qual é o seu critério?
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