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Avançado / Quem conta e o que é justo

Por que é difícil ser relativista diante da inclusão

Se toda moral fosse relativa, a abolição não teria sido um avanço. A expansão do círculo moral segue um princípio: a imparcialidade.

AvançadoÉtica e valores3 min de leitura

“Cada cultura tem sua moral, e ninguém pode julgar.” A frase soa tolerante. Mas, levada a sério, ela impede dizer que a escravidão era errada, que proibir mulheres de votar era injusto ou que perseguir minorias é mal. Por isso, quase ninguém consegue ser relativista até o fim.

Nesta lição, você vai

  • Entender o que é relativismo moral e seus dois problemas
  • Separar tolerância de relativismo
  • Ver como a imparcialidade explica a expansão do círculo

Ajuda ter lido: Progresso moral e progresso político, Inclusão moral e sencientismo.

Uma analogia

Imagine um termômetro em que cada pessoa decide o número. Ninguém poderia dizer que está mais quente hoje do que ontem. O relativismo moral faz algo parecido com o certo e o errado: se tudo depende de quem olha, não existe melhorar nem piorar.

Explicando para uma criança

Se cada criança pudesse inventar a regra que quisesse, e ninguém pudesse dizer que bater no colega é errado, a escola viraria uma bagunça injusta. Algumas regras valem para todos, como não machucar os outros.

Antes de ler: o que você faria?

“Cada cultura tem sua moral; quem somos nós para julgar?” A frase é usada sobre uma prática que fere pessoas.

Se fosse verdadeira, o que diria sobre a abolição da escravidão? E sobre quem luta dentro da cultura?

Ver o que a lição responde

Diria que a abolição não foi avanço e que o reformador está sempre errado. A lição mostra por que tolerância não é relativismo e como a expansão do círculo segue um princípio, não uma moda.

O que é relativismo moral

É a ideia de que o certo e o errado dependem da cultura ou da pessoa, sem um critério que valha para todos. Há uma verdade nele: culturas diferem, e devemos ter humildade antes de julgar. Mas há dois problemas sérios:

  • Não permite progresso: se a moral de cada época fosse correta por definição, a abolição e o voto feminino não seriam avanços, apenas mudanças. Veja progresso moral.
  • Silencia as vítimas: quem sofre dentro de uma cultura também faz parte dela. Dizer “é a cultura deles” costuma dar razão a quem tem mais poder.

Tolerância não é relativismo

TolerânciaRelativismo
Respeita pessoas e convive com diferençasNega que se possa julgar qualquer prática
Admite que podemos estar erradosDiz que ninguém está errado
Tem limites, como o dano a outrosNão tem critério para limites

Na prática, quem defende o relativismo costuma defendê-lo como algo bom, o que já é um juízo moral que pretende valer para todos.

A imparcialidade e o círculo que se expande

Se não é tudo relativo, qual é o critério? Um dos mais fortes é a imparcialidade: casos iguais devem ser tratados de forma igual, a menos que haja uma diferença relevante. É ela que explica a expansão do círculo moral:

Já ficou de foraPor quêA diferença era relevante?
EscravizadosCor e origemNão muda a capacidade de sofrer, pensar e querer
MulheresSexoNão muda a capacidade de decidir e participar
Pessoas LGBTOrientação e identidadeNão prejudica ninguém
EstrangeirosLocal de nascimentoÉ loteria da vida
AnimaisEspécieA dor continua sendo dor. Veja o sencientismo

Incluir minorias, então, não é um favor nem um capricho de um lado político. É a aplicação coerente de um princípio que quase todos já aceitam: não tratar alguém pior por uma característica que não tem relação com o que está em jogo.

As objeções sérias

  • Quem decide o que é relevante? É uma pergunta difícil, e por isso pede argumentos públicos, e não só a vontade de quem manda.
  • Universalismo já serviu ao colonialismo: é verdade. Mas a resposta a uma imposição injusta é uma imparcialidade mais coerente, e não o relativismo.
  • Deveres especiais: temos laços com família e comunidade. Isso permite cuidar mais dos próximos, mas não tratar os outros como se não contassem.
Erro comum: “Relativismo é a posição tolerante.” Tolerância é um valor universal, que o relativismo não pode defender. Quem quer tolerância precisa de um padrão que valha para todos, e isso é o oposto do relativismo.
Pratique: Teste de troca. Você julgaria o mesmo ato de quem você rejeita?

Para guardar

  • Se toda moral fosse relativa, a abolição não teria sido avanço, só mudança.
  • Tolerância respeita pessoas e tem limites; relativismo nega que se possa julgar.
  • Incluir minorias é aplicar um princípio que quase todos aceitam: não tratar pior por uma característica irrelevante.

Para pensar

Existe alguma prática de outra cultura que você considera errada em qualquer lugar? Qual é o seu critério?

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