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Avançado / Riscos do futuro

Políticas para prevenir riscos-s e riscos-x

Alguns riscos poderiam acabar com a humanidade, e outros, criar sofrimento em escala gigantesca. A política pode ajudar a evitá-los.

AvançadoDemocraciaPerigos2 min de leitura

A maioria das decisões políticas olha para os próximos quatro anos. Mas algumas ameaças poderiam afetar todo o futuro: uma pandemia projetada, uma guerra nuclear, uma inteligência artificial fora de controle. Pesquisadores chamam de riscos-x os riscos existenciais, que podem acabar com a humanidade ou destruir seu potencial, e de riscos-s os riscos de sofrimento em escala astronômica, muito maior do que todo o sofrimento que já existiu.

Nesta lição, você vai

  • Distinguir riscos-x (existenciais) e riscos-s (de sofrimento)
  • Conhecer políticas que ajudam: IA, biossegurança, armas, instituições
  • Avaliar as críticas: especulação, uso do medo, quem decide

Ajuda ter lido: Fanatismo ideológico no longo prazo, Política baseada na senciência.

Uma analogia

Um prédio pode passar décadas sem pegar fogo, e ainda assim instalamos extintores e saídas de emergência. Não porque o incêndio é provável amanhã, mas porque, se acontecer, o dano é enorme e irreversível. Riscos-x e riscos-s são incêndios em escala de civilização.

Explicando para uma criança

Os adultos colocam grade na janela e guardam remédios no alto, mesmo achando que nada vai acontecer, porque um acidente poderia ser muito grave. Alguns cientistas estudam perigos muito grandes para o mundo todo, para que nunca aconteçam.

Antes de ler: o que você faria?

Uma pandemia projetada em laboratório, uma guerra nuclear, uma IA fora de controle, uma criação industrial em escala global permanente.

Que riscos são de extinção e quais de sofrimento? O que a política pode fazer antes?

Ver o que a lição responde

Riscos X ameaçam a existência; riscos S, sofrimento em escala astronômica. A lição mostra as duas categorias, as políticas que ajudam (biossegurança, controle de armas, governança de IA, proteção animal) e as críticas.

As duas categorias

Riscos-x (existenciais)Riscos-s (de sofrimento)
O que éExtinção humana ou perda permanente do futuroSofrimento em escala muito maior do que o atual, por muito tempo
Exemplos discutidosGuerra nuclear, pandemia projetada, IA desalinhada, colapso climático extremoRegimes totalitários permanentes com tecnologia avançada, IA que cause sofrimento, exploração de seres sencientes em escala imensa, inclusive mentes digitais
Quem estudaPesquisadores de risco existencial, como Toby Ord, em The PrecipiceGrupos como o Center for Reducing Suffering e o Center on Long-Term Risk

O Center for Reducing Suffering distingue riscos-s acidentais, causados por agentes que querem fazer mal e naturais. O foco no sofrimento extremo se liga às ideias de política baseada na senciência e de Magnus Vinding.

Políticas que ajudam

ÁreaExemplos
Inteligência artificialTestes de segurança, transparência, limites ao uso militar e cooperação internacional. Veja o debate sobre IA
BiossegurançaVigilância de pandemias, controle de pesquisas perigosas e de síntese de DNA
Armas nuclearesRedução de arsenais, canais de comunicação e tratados
InstituiçõesEvitar a concentração permanente de poder e manter freios e contrapesos. Veja o fanatismo ideológico e os atores malevolentes
Círculo moralGarantir que seres sencientes, inclusive animais e futuras mentes digitais, sejam considerados antes que tecnologias poderosas se consolidem
Representação do futuroComissões e metas de longo prazo, como as que alguns países criaram para as próximas gerações

As críticas

  • Especulação: as probabilidades são muito incertas, e às vezes apenas palpites.
  • Problemas de hoje: focar no futuro distante pode desviar recursos de quem sofre agora.
  • Uso do medo: riscos enormes podem justificar vigilância e concentração de poder, que também são perigosos. Veja a política do medo.
  • Quem decide: o debate é concentrado em poucos países e instituições.
Muitas medidas fazem sentido mesmo para quem não aceita as projeções mais dramáticas: prevenir pandemias, conter armas e regular tecnologias perigosas também protege as pessoas de hoje.
Erro comum: “Riscos existenciais são ficção científica.” Pandemias, armas nucleares e IA são riscos deste século, avaliados por instituições sérias. A crítica legítima é sobre prioridade e custo de oportunidade, não sobre existência.

Para guardar

  • Instalamos extintores sem esperar o incêndio: o dano enorme e irreversível justifica a prevenção.
  • Riscos enormes também podem justificar vigilância e concentração de poder, que são perigosos.
  • Muitas medidas valem mesmo para quem não aceita as projeções: prevenir pandemias e conter armas.

Para pensar

Quanto do orçamento de hoje você aceitaria gastar em riscos que talvez nunca aconteçam? Como decidiria?

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