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Avançado / O sistema brasileiro

Presidencialismo de coalizão e Centrão

Por que o presidente do Brasil precisa negociar tanto, e o que isso produz.

AvançadoBrasilDemocracia3 min de leitura

O cientista político Sérgio Abranches cunhou em 1988 o termo “presidencialismo de coalizão”: o presidente é eleito por milhões, mas seu partido nunca tem maioria no Congresso. Para governar, monta alianças com vários partidos.

Nesta lição, você vai

  • Entender por que o presidente brasileiro precisa negociar tanto
  • Conhecer o Centrão e as regras dos partidos
  • Ver o que mudou com as emendas impositivas

Ajuda ter lido: Como uma lei é feita, Para que servem os partidos.

Uma analogia

Imagine uma pessoa eleita síndica por todo o prédio, mas cujo grupo tem só 3 dos 30 votos na assembleia. Para aprovar qualquer obra, ela precisa dar funções e benefícios a outros grupos. O presidente do Brasil vive essa situação.

Explicando para uma criança

Você foi escolhido para organizar a festa da turma, mas precisa da ajuda de outros grupos para tudo. Então vocês combinam: “vocês cuidam da música e nos ajudam nos jogos”. Um presidente precisa combinar assim com muitos partidos para conseguir fazer as coisas.

Antes de ler: o que você faria?

Um presidente eleito com um partido pequeno precisa aprovar o orçamento. O Congresso tem trinta partidos.

Como ele governa? O que troca, com quem, e o que isso produz?

Ver o que a lição responde

Cargos e emendas por apoio: a moeda do presidencialismo de coalizão. O Centrão é o nome do bloco que vende apoio. A lição mostra as regras, por que o Brasil chegou aqui e as vantagens e custos.

A moeda

  • Ministérios e cargos: partidos entram na base em troca de postos.
  • Emendas: verbas para as bases dos parlamentares.
  • Agenda: partes do programa são negociadas.

Isso dá estabilidade, mas gera toma-lá-dá-cá. Sem base, presidentes caem ou ficam paralisados: Collor (1992) e Dilma (2016) sofreram impeachment em meio à perda de apoio.

O Centrão

O nome surgiu na Constituinte de 1987-88. Hoje designa partidos, como PP, Republicanos, PL, União e outros, que tendem a apoiar quem está no governo em troca de espaço, com menos rigidez ideológica. A composição varia. Com o crescimento das emendas impositivas, o Congresso ganhou mais força sobre o orçamento, e alguns falam em “semipresidencialismo informal”.

As regras dos partidos

RegraO que faz
Cláusula de barreiraQuem não atinge votos mínimos para a Câmara perde fundo partidário e tempo de TV. Em 2026, o requisito foi de 2,5% dos votos válidos, entre outras condições.
Fim das coligações proporcionaisDesde 2020 partidos não podem se coligar para eleições de vereador e deputado.
FederaçõesDesde 2021 partidos podem atuar juntos por no mínimo quatro anos, como se fossem um só.
Fundo eleitoralFinanciamento público de campanhas, após o STF proibir doações de empresas em 2015.

Essas regras explicam muitas fusões recentes, como União Brasil e PRD, e as federações. O número de partidos no Congresso vem caindo.

Por que o Brasil chegou aqui

O país combina presidente forte, muitos partidos, voto proporcional em lista aberta e federalismo. Deputados são eleitos em seus próprios nomes, e dependem de levar recursos para as suas bases. Argelina Figueiredo e Fernando Limongi mostraram que, apesar disso, os presidentes costumam aprovar boa parte da agenda, graças aos poderes de agenda e aos líderes partidários.

Vantagens e custos

VantagensCustos
Obriga a negociar e a incluir vários gruposPouca clareza sobre quem é responsável
Evita maiorias de um só partidoCargos entregues por interesse, e não por competência
Dificulta mudanças extremasRisco de corrupção, como no mensalão e no petrolão
Dá governabilidadePrograma eleito diluído na negociação

O que mudou com as emendas

Antes, liberar emendas era uma moeda do presidente. Com as emendas impositivas, os parlamentares passaram a ter dinheiro garantido, e o Executivo perdeu parte dessa moeda. Isso aumentou o poder do Congresso e mudou o jogo. Veja também orçamento.

O que o eleitor pode fazer

Quem reclama do Congresso muitas vezes esqueceu em quem votou para deputado. Veja como votar melhor e o histórico dos partidos.

Erro comum: “Centrão é sinônimo de corrupção.” O Centrão é um bloco de partidos sem ideologia fixa que negocia apoio por cargos e verbas; é fruto das regras, não só de caráter. Muda-se o comportamento mudando as regras que o produzem.
Pratique: Árvore dos partidos. De onde veio cada sigla, de Arena a Missão.

Para guardar

  • O partido do presidente nunca tem maioria: governar exige coalizão, e coalizão custa cargos e emendas.
  • Isso dá estabilidade e gera toma-lá-dá-cá: Collor e Dilma caíram quando perderam a base.
  • Com as emendas impositivas, o Congresso ganhou poder sobre o orçamento e o presidente perdeu moeda.

Para pensar

Se você fosse presidente com 15% da Câmara, o que aceitaria dar em troca de apoio, e o que não?

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