A lição sobre sencientismo discute quem deve contar. Esta lição dá o passo seguinte: como seria uma política que levasse a senciência a sério, nas leis, nos orçamentos e nas instituições? A ideia rompe com o antropocentrismo, a visão de que só os humanos importam.
Nesta lição, você vai
- Ver de onde vem a ideia, de Bentham às teorias políticas atuais
- Imaginar como apareceria em leis, orçamentos e representação
- Conhecer os desafios: medir, até onde, transição
Ajuda ter lido: Inclusão moral e sencientismo.
Uma analogia
Durante séculos, as cidades foram planejadas como se só existissem carros, e os pedestres que se virassem. Quando passamos a pensar nos pedestres, surgiram calçadas e faixas. Uma política da senciência faz o mesmo: lembra que existem outros seres sentindo os efeitos de cada decisão.
Explicando para uma criança
Quando a cidade decide algo, como derrubar uma árvore ou construir uma estrada, quem mora ali sente: pessoas, e também passarinhos, cachorros e outros bichos. Uma boa regra pensa em todo mundo que pode sentir dor ou medo.
Antes de ler: o que você faria?
Se o que importa é poder sentir, o orçamento da sua cidade seria o mesmo?
Que leis, instituições e prioridades mudariam? Que desafios apareceriam?
Ver o que a lição responde
Avaliação de impacto sobre sencientes, representação, limites à criação industrial, prioridade ao sofrimento. A lição mostra de onde vem a ideia, como apareceria e os desafios de medir e de representar.
De onde vem a ideia
- Antiguidade: pensadores como Pitágoras, Plutarco e Porfírio já ligavam a capacidade de sentir à consideração moral.
- Jeremy Bentham (1789): a pergunta não é se podem raciocinar ou falar, mas se podem sofrer.
- Século XX: autores como J. Howard Moore, Peter Singer e outros desenvolveram a crítica ao especismo.
- Hoje: teorias políticas como as de Cochrane, Donaldson e Kymlicka, Vinding e Adenitire e Fasel propõem instituições concretas. Uma proposta teórica, a senciocracia, imagina um governo que represente todos os seres sencientes.
Como apareceria na prática
| Área | Exemplos de políticas |
|---|---|
| Constituição e leis | Reconhecer a senciência, proibir crueldade evitável e dar peso aos interesses dos animais nas leis |
| Representação | Defensorias, conselhos ou parlamentares com mandato para representar quem não vota |
| Orçamento | Medir o impacto de subsídios e obras sobre animais, e financiar alternativas |
| Alimentação | Transição para sistemas com menos sofrimento, com apoio aos trabalhadores e produtores |
| Ambiente e saúde | Incluir os animais afetados em enchentes, queimadas e epidemias |
| Ciência | Pesquisar quem é senciente e métodos sem testes dolorosos |
| Cidades | Castração, adoção e proteção de animais de rua. Veja o debate |
Os desafios
- Como medir? Há incerteza sobre o grau de sofrimento de cada espécie. A resposta comum é agir com cautela, e não ignorar.
- Até onde? Insetos, peixes, animais selvagens e futuras mentes digitais desafiam os limites do círculo.
- Resistência cultural e econômica: exige transição justa, sem abandonar quem depende dessas atividades.
- Diferença do ambientalismo: o ambientalismo pensa em espécies e ecossistemas, e o sencientismo, em cada indivíduo que sente. Às vezes, os dois concordam, e às vezes, não.
Para guardar
- Uma política da senciência lembra que outros seres sentem o efeito de cada decisão.
- Não exige que todos virem vegetarianos amanhã: exige que o sofrimento de quem não vota entre na conta.
- O ambientalismo pensa em espécies e ecossistemas; o sencientismo, em cada indivíduo que sente.
Para pensar
Em uma enchente na sua cidade, quem é contado entre as vítimas? Quem deveria ser?
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