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Iniciante / Os lados

Esquerda e direita

De onde vêm os termos, os valores comuns a cada lado e por que o rótulo ajuda, mas não basta.

InicianteIdeologias3 min de leitura

Os termos nasceram na Revolução Francesa de 1789: na assembleia, quem defendia o rei sentava à direita e quem queria mudanças, à esquerda. O assento virou rótulo, e o rótulo ficou.

Nesta lição, você vai

  • Saber de onde vêm os rótulos e o que cada lado costuma valorizar
  • Usar mais de um eixo: economia e costumes
  • Entender por que o rótulo orienta, mas não substitui olhar cada proposta

Ajuda ter lido: Valores morais × decisões políticas.

Uma analogia

Pense em uma equipe de cozinha. Parte dela quer dividir melhor o que já foi feito, para ninguém ficar sem prato. Outra quer dar mais liberdade a quem cozinha, para produzir mais, e confia que isso alcance todos. Em cada grupo há quem aceite conversar e quem queira expulsar os outros da cozinha. Esse último ponto é outro eixo, e vale tanto quanto o primeiro.

Explicando para uma criança

Imagine dividir os doces de uma festa. Algumas pessoas dizem: “todo mundo tem que ganhar parecido”. Outras: “quem ajudou mais a fazer pode ficar com mais”. As duas querem uma festa boa, mas pensam diferente sobre o que é justo. Esquerda e direita são, mais ou menos, essa conversa.

Antes de ler: o que você faria?

Uma candidata defende privatizar estatais e, ao mesmo tempo, legalizar o aborto.

Ela é de esquerda ou de direita? O rótulo único dá conta?

Ver o que a lição responde

Não: ela é à direita no eixo econômico e progressista no de costumes. Um eixo só não basta, e a lição mostra as quatro combinações e por que o rótulo orienta sem substituir o exame de cada proposta.

Para o italiano Norberto Bobbio, a diferença mais duradoura é a atitude diante da igualdade: a esquerda tende a ver as desigualdades como problema a corrigir; a direita tende a vê-las como naturais, inevitáveis ou até úteis. O mesmo autor separa outro eixo: liberdade × autoridade. Por isso existem esquerda autoritária e esquerda libertária, direita autoritária e direita liberal.

Valores comuns a quem é considerado de esquerdaValores comuns a quem é considerado de direita
Igualdade e redução de desigualdadesMérito e responsabilidade individual
Estado ativo em saúde, educação e rendaLivre mercado, menos impostos e menos Estado na economia
Direitos de minorias e mudança socialTradição, família e continuidade
Direitos trabalhistas e sindicatosLiberdade de contratar e empreender
Segurança ligada à prevenção e às causas sociaisSegurança ligada à ordem e à punição

São tendências, não regras. Há muita gente que mistura as duas colunas, e os dois lados têm correntes internas que brigam entre si.

O espectro e seus eixos

Extrema-esquerdaEsquerdaCentro-esquerdaCentroCentro-direitaDireitaExtrema-direita

Um mapa em coordenadas

Liberais e libertáriasConservadoras e de direitaAutoritárias de direitaCentro e reformistasSocialistas e comunistasAnarquistasTemas transversais

Na horizontal, a posição entre esquerda e direita. Na vertical, o quanto a corrente aceita mudar por dentro das regras ou quer romper com elas. São posições aproximadas e uma escolha editorial, discutível: este mapa descreve correntes, não mede você. Algumas, como o populismo, aparecem nos dois lados. Clique em uma para abrir.

Uma linha só simplifica demais. Testes como o de Coordenadas Políticas usam dois eixos: um econômico (esquerda-direita) e um social (comunitário-liberal). Jean Laponce mostrou que a oposição entre esquerda e direita funciona quase como uma topografia mental, ligada a símbolos como sagrado e profano. Milton Rokeach propôs que a posição política acompanha o peso dado à liberdade e à igualdade. Pablo Stefanoni mostra como a “rebeldia” mudou de lado nas redes.

Rótulo é ponto de partida: “sou de direita” ou “sou de esquerda” diz pouco sobre o que alguém pensa de um tema específico. Pergunte sobre o tema.

Os termos mudam com o tempo e o lugar

  • No século XIX, defender o livre mercado era uma posição de mudança contra reis e nobres.
  • Nacionalismo e protecionismo já apareceram à esquerda e à direita.
  • Quem é “de centro” no Brasil pode não ser na Suécia ou nos EUA.
  • Muitos partidos brasileiros são pragmáticos e mudam conforme o governo. Veja nos dossiês.

Quatro combinações

Mais igualdade econômicaMais liberdade econômica
Mais liberdade pessoalEsquerda libertária ou social-democrataLiberal clássico ou libertário
Mais autoridade e tradiçãoEsquerda autoritáriaDireita conservadora ou autoritária

Para ver cada corrente em detalhe, do anarcocapitalismo ao anarcocomunismo, consulte as vertentes políticas.

Moderado não é sinônimo de certo

Estar no meio não garante razão, e estar longe do centro não garante erro: já foi “extremo” defender o fim da escravidão. Mais do que a distância do centro, avalie os argumentos e os métodos. Quem aceita perder eleições e respeita direitos joga dentro da democracia, em qualquer lado.

Erro comum: “Esquerda é bondade; direita é maldade”, ou o contrário. Os dois lados têm valores legítimos (igualdade e proteção de um lado; liberdade e ordem de outro) e os dois produziram catástrofes quando foram ao extremo. O que vale é o argumento e a evidência de cada proposta.
Pratique: Comparador de partidos. Coloque até três partidos lado a lado.

Para guardar

  • Os termos nasceram na assembleia francesa de 1789 e mudam de sentido conforme a época e o país.
  • Um eixo só não basta: alguém pode ser liberal na economia e conservador nos costumes, ou o contrário.
  • Moderado não é sinônimo de certo, e extremo não é sinônimo de errado: o que vale é o argumento.

Para pensar

Onde você se colocaria em cada um dos dois eixos? A resposta é a mesma para todos os temas?

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