A ideia central
Petismo é a identidade de quem se vê representado pelo PT: sindicatos, movimentos sociais e os mais pobres, em torno de Lula e dos programas sociais. Antipetismo é a rejeição ao partido, que reúne liberais, conservadores e parte do centro e que, desde 2014, virou a principal força de organização da direita. Pesquisas de opinião mostram que o antipetismo é a identidade partidária negativa mais forte do país e que os dois sentimentos, juntos, dividem o eleitorado mais do que qualquer ideologia: a pergunta decisiva deixou de ser “esquerda ou direita?” e passou a ser “a favor ou contra o PT?”.
Como vê cada questão
| Estado | Petismo: Estado ativo em programas sociais e investimento. Antipetismo: varia, do liberal ao conservador, unido pela oposição. |
|---|---|
| Economia | Petismo: mista, com bancos públicos e salário mínimo como motor. Antipetismo: em geral pró-mercado, mas não necessariamente. |
| Liberdades | Os dois se dizem democráticos, e cada um acusa o outro de ameaçar a democracia. |
| Igualdade | Central para o petismo. Secundária para boa parte do antipetismo, que prioriza combate à corrupção, costumes ou economia. |
Pensadores e referências
André Singer, Os sentidos do lulismo; David Samuels e Cesar Zucco, Partisans, Antipartisans, and Nonpartisans; Jairo Nicolau, O Brasil dobrou à direita.
Na história
O PT nasceu em 1980, das greves do ABC paulista, e chegou à Presidência em 2002. O antipetismo cresceu com o mensalão (2005), as manifestações de 2013, a Lava Jato (2014) e o impeachment de Dilma (2016), e foi a base sobre a qual o bolsonarismo se ergueu em 2018. As eleições de 2018, 2022 e 2026 foram decididas em torno desse eixo.
No Brasil
É um fenômeno brasileiro. Samuels e Zucco estimam que, no auge, cerca de um quarto dos eleitores se identificava com o PT, e uma parcela parecida o rejeitava de forma firme, com a rejeição crescendo depois de 2014. O antipetismo se organizou em movimentos como o Vem pra Rua e o MBL, e depois dentro do bolsonarismo; o petismo, em torno de Lula, da CUT e do MST.
Partidos com influência dessa ideia
Figuras ligadas ou associadas
Associação aproximada. Influência não quer dizer que o partido ou a pessoa adote tudo o que a corrente defende.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- O petismo deu organização partidária a trabalhadores e aos mais pobres, e sustentou programas que reduziram a pobreza e a fome.
- O antipetismo nasceu de problemas reais, como os escândalos de corrupção nos governos do PT, e defende a alternância no poder, que é saudável em qualquer democracia.
- Os dois mostram que existe identidade partidária no Brasil, o que pode tornar o voto mais estável e os partidos mais responsáveis perante seus eleitores.
Contradições
- O petismo critica o personalismo e depende de Lula a cada eleição, sem ter formado um sucessor com força própria.
- O antipetismo diz combater a corrupção e apoiou partidos e políticos com histórico igual ou pior, desde que fossem contra o PT.
- Cada lado diz defender a democracia e trata a vitória do outro como ilegítima, por fraude, golpe ou manipulação.
- Os dois reduzem a política a um só eixo, ser a favor ou contra um partido, em vez de avaliar cada proposta pelo mérito. É a forma brasileira do tribalismo.
O que dizem os críticos
Críticos do petismo apontam a corrupção nos governos do partido, a dependência de um líder e a relativização de ditaduras de esquerda no exterior. Críticos do antipetismo dizem que ele virou um ódio capaz de aceitar qualquer coisa contra o PT, inclusive candidatos antidemocráticos, e que trata milhões de eleitores como inimigos. Os dois lados são acusados de reduzir toda a política a um plebiscito sobre um partido.