A ideia central
Sencientismo, também descrito como senciocentrismo ou ética baseada na senciência, é a visão de que todos os que podem sentir contam: a capacidade de ter experiências boas e ruins é o critério, e a consideração não para na espécie. Aplicado à política, coloca humanos, animais não humanos e outros possíveis seres sencientes no centro das decisões. Senciocracia (em inglês, sentiocracy) é a forma de governo que decorre disso, com instituições que representem e protejam esses seres. O sencientismo diz quem conta; a senciocracia pergunta como o sistema político deveria agir a partir disso. Ela pode se combinar com diferentes teorias éticas, como o consequencialismo ou as teorias de direitos. É uma ideia ainda em construção, sem modelo único de funcionamento.
Como vê cada questão
| Estado | Com instituições que protejam e representem quem não pode votar. |
|---|---|
| Economia | Questiona setores baseados em sofrimento, como a pecuária industrial. |
| Liberdades | Proteção política a todos os seres sencientes, independentemente de lugar ou tempo. |
| Igualdade | Sem distinção de espécie: busca o melhor para cada indivíduo. |
Pensadores e referências
Na base moral: Jeremy Bentham, Peter Singer, Tom Regan, Oscar Horta e Luciano Carlos Cunha. Na proposta política: Sue Donaldson e Will Kymlicka (Zoopolis), Alasdair Cochrane (Sentientist Politics), Magnus Vinding (Reasoned Politics), John Adenitire e Raffael Fasel (Animals and the Constitution), Lara de Mendonça André.
Na história
A base moral aparece em Bentham (1789), e o termo sencientismo foi usado por John Rodman em 1977; hoje se apoia em declarações científicas sobre consciência animal. Nenhum país adotou o sistema político. Há passos parciais, como leis que reconhecem animais como seres sencientes.
No Brasil
Discussão ainda pequena, com divulgação em português em sites como a Vegpedia. O Brasil tem leis contra maus-tratos e uma comunidade ativa de defesa animal.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- A dor não depende da espécie: o critério moral é coerente, e coincide com o que a ciência admite sobre a consciência animal.
- Quem é afetado por uma decisão deveria ter seus interesses considerados nela.
- Crianças e futuros seres já são representados por outros: a ideia não é tão estranha.
- Pode dar peso político ao sofrimento que hoje não aparece nas eleições.
Contradições
- Fala em “governo” de seres que não podem votar nem deliberar: quem fala por eles?
- Humanos ainda decidiriam tudo, com risco de usar os animais a favor das próprias causas.
- Como pesar interesses entre números enormes de seres, como insetos, e poucos humanos?
- Vai além do veganismo: incluir animais na natureza e possíveis sistemas digitais sencientes amplia muito o que precisaria ser protegido, e como fazê-lo.
- É pouco testada e precisa de maioria humana para existir.
O que dizem os críticos
Críticos dizem que a política pressupõe deliberação e deveres, que animais não têm. Jorge Valadez questiona se capacidades tão variadas de senciência podem fundar igualdade moral. Há incerteza sobre onde termina a senciência, e forte resistência cultural e econômica. Veja a lição sobre inclusão moral e sencientismo.