O que mede
A dívida pública é o total que o governo deve a quem comprou seus títulos. O número isolado diz pouco; o que importa é a relação com o PIB, a trajetória e o custo dos juros. A dívida bruta conta tudo o que se deve; a líquida desconta o que o governo tem a receber e as reservas internacionais.
Como é calculado
O Banco Central publica a dívida bruta do governo geral, que inclui União, estados e municípios, e a dívida líquida do setor público. O FMI usa uma definição mais ampla, que inclui títulos na carteira do próprio Banco Central, e por isso o número do FMI para o Brasil é maior do que o do governo brasileiro. As agências de risco, como Moody’s, S&P e Fitch, usam esses dados para dar a nota de crédito do país.
Quem publica
O Banco Central divulga as estatísticas fiscais todo mês. O Tesouro Nacional publica o relatório mensal da dívida e o Tesouro Transparente. O FMI compara países no Fiscal Monitor e no World Economic Outlook.
Onde o Brasil fica
A dívida bruta do Brasil fica entre 75% e 90% do PIB, conforme a metodologia, uma das mais altas entre países emergentes, embora abaixo de Japão, Itália e Estados Unidos. O problema brasileiro é menos o tamanho e mais o custo: os juros que o país paga estão entre os mais altos do mundo, e a dívida cresce com eles. O Brasil perdeu o grau de investimento em 2015 e ainda não o recuperou.
Limites e críticas
- Países ricos carregam dívidas maiores com juros menores: o que pesa é a confiança e a moeda
- Bruta e líquida contam histórias diferentes, e cada lado do debate escolhe a sua
- A metodologia do FMI e a do Banco Central não batem, e as duas são legítimas
- Dívida que financia investimento não é o mesmo que dívida que paga custeio
Como usar
- Olhe a trajetória, e não o nível de um ano
- Pergunte qual é o custo médio da dívida, e não só o tamanho
- Compare com países de renda e juros parecidos, e não com os EUA
- Veja o resultado primário, que mostra se a dívida está sendo alimentada