O que mede
O Gini resume o quanto a renda se afasta de uma divisão igual. Em 0, todos ganham o mesmo; em 1, uma pessoa fica com tudo. Países europeus ficam entre 0,25 e 0,35; a América Latina e a África austral têm os valores mais altos do mundo, acima de 0,45.
Como é calculado
Ordenam-se as pessoas da mais pobre à mais rica e compara-se a renda acumulada de cada fatia com o que seria uma divisão igual. O número depende de pesquisas domiciliares, como a Pnad Contínua no Brasil, que captam mal a renda dos muito ricos. Versões com dados de imposto de renda mostram desigualdade maior.
Quem publica
O Banco Mundial reúne os Ginis nacionais em sua base de dados. O IBGE calcula o do Brasil a partir da Pnad. O World Inequality Database, ligado a Thomas Piketty, publica medidas alternativas, como a fatia do 1% mais rico.
Onde o Brasil fica
O Brasil tem um dos Ginis mais altos do mundo, em torno de 0,52, e esteve quase sempre entre os dez países mais desiguais com dados disponíveis. Caiu entre 2001 e 2015, subiu na recessão e caiu de novo depois de 2021. Pelos dados do imposto de renda, o 1% mais rico fica com cerca de um quinto da renda.
Limites e críticas
- Dois países com o mesmo Gini podem ter desigualdades de formatos diferentes
- Mede renda, e não riqueza: a desigualdade de patrimônio é muito maior
- Pesquisas domiciliares subestimam os muito ricos
- Não diz se a desigualdade vem de mérito, herança ou privilégio
Como usar
- Compare o Gini com a fatia do 1% e do 10% mais ricos
- Veja a tendência em décadas, e não o valor de um ano
- Lembre que a desigualdade de riqueza é outra conta
- Pergunte que política explica cada queda e cada alta