O que mede
A Selic é a taxa de referência das operações entre bancos lastreadas em títulos públicos, e serve de piso para todos os outros juros da economia: empréstimos, financiamentos, cartão e também o rendimento da poupança e dos títulos do Tesouro. O Banco Central a usa como principal instrumento para manter a inflação na meta: sobe os juros para esfriar a economia e baixa para aquecê-la. O juro real é a Selic descontada a inflação esperada, e é ele que mede o quanto o dinheiro de fato rende ou custa.
Como é calculado
O Comitê de Política Monetária, o Copom, formado pela diretoria do Banco Central, reúne-se oito vezes por ano e define a meta da Selic por votação, com ata publicada dias depois. A decisão olha a inflação atual, as expectativas do mercado, coletadas no Boletim Focus, a atividade econômica e o cenário externo. Outros países fazem o mesmo: o Fed, nos Estados Unidos, e o Banco Central Europeu têm comitês parecidos.
Quem publica
O Banco Central publica a decisão, o comunicado e a ata de cada reunião, além do Relatório de Política Monetária trimestral. O Boletim Focus sai toda semana com as projeções do mercado. O FMI e o Banco de Compensações Internacionais comparam taxas entre países.
Onde o Brasil fica
O Brasil tem, há décadas, um dos juros reais mais altos do mundo, com frequência o primeiro ou o segundo do ranking, acima de 5% ao ano descontada a inflação, quando a maioria dos países ricos fica perto de zero. A Selic chegou a 45% ao ano em 1999, caiu a 2% na pandemia e voltou a dois dígitos depois de 2021. As explicações disputadas incluem o histórico de inflação, o tamanho da dívida, o gasto público, a baixa poupança e o crédito direcionado a juros subsidiados.
Limites e críticas
- O juro nominal engana: compare sempre o juro real
- A Selic afeta a economia com atraso de meses, e a decisão de hoje é sobre a inflação do ano que vem
- Juro alto beneficia quem tem dinheiro aplicado e pesa sobre quem deve, e por isso a disputa é também distributiva
- O Banco Central decide os juros, mas o governo decide o gasto, e os dois puxam a mesma corda
Como usar
- Olhe o juro real, e não só a Selic
- Leia a ata do Copom: ela diz por que a decisão foi tomada
- Compare o juro real do Brasil com o de países emergentes parecidos
- Veja o debate sobre a autonomia do Banco Central e a lição de economia básica