O que mede
A fome é medida de várias formas. A FAO estima a prevalência de subalimentação: a parcela da população que não consome calorias suficientes para uma vida ativa. Países abaixo de 2,5% ficam fora do chamado Mapa da Fome. A insegurança alimentar, mais ampla, mede quem teve de reduzir ou pular refeições por falta de dinheiro, por pesquisas diretas com as famílias. O Global Hunger Index combina subalimentação, desnutrição infantil e mortalidade infantil em uma nota.
Como é calculado
A FAO calcula a subalimentação a partir de balanços de oferta de alimentos e de pesquisas de consumo, e publica a Escala de Experiência de Insegurança Alimentar, com oito perguntas feitas diretamente às pessoas. O Global Hunger Index, das ONGs Welthungerhilfe e Concern Worldwide, soma quatro indicadores em uma escala em que abaixo de 10 é fome baixa e acima de 35, alarmante. No Brasil, o IBGE aplica a escala brasileira de insegurança alimentar, a Ebia, na Pnad e na POF.
Quem publica
A FAO, com outras agências da ONU, publica o relatório anual sobre o estado da segurança alimentar e nutrição no mundo. O Global Hunger Index sai todo ano. No Brasil, o IBGE e a Rede Penssan fazem os levantamentos nacionais.
Onde o Brasil fica
O Brasil saiu do Mapa da Fome em 2014, depois de uma década de programas sociais e crescimento, voltou em 2022, após a pandemia e a crise, e saiu de novo em 2025, segundo a FAO. A insegurança alimentar grave atingiu cerca de um terço dos domicílios em 2022, pela Rede Penssan, e caiu nos anos seguintes. O país está entre os maiores produtores de alimentos do mundo, o que mostra que fome é questão de renda e de distribuição, e não de produção.
Limites e críticas
- A subalimentação é uma estimativa a partir de médias, e não uma contagem de pessoas
- Insegurança alimentar leve e fome não são a mesma coisa, e os números se confundem no debate
- O Mapa da Fome usa um corte de 2,5% que esconde variações dentro do país
- Dados de pesquisas domiciliares chegam com atraso
Como usar
- Distinga subalimentação, insegurança alimentar e desnutrição ao ler uma notícia
- Olhe a série histórica e os anos de crise
- Veja a insegurança alimentar por região, raça e sexo do chefe da família
- Pergunte que política mudou o número, e com que evidência