O que mede
O Índice de Percepção da Corrupção, IPC, dá a cada país uma nota de 0 a 100 a partir de como empresários e especialistas percebem a corrupção no setor público: propina, desvio, nepotismo, captura do Estado e capacidade de punir. Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia lideram; Somália e Síria ficam no fim. A média mundial está perto de 43, e dois terços dos países ficam abaixo de 50.
Como é calculado
A Transparência Internacional combina até 13 pesquisas e avaliações de outras instituições, como Banco Mundial, Fórum Econômico Mundial e EIU, feitas com executivos e analistas. Cada país precisa aparecer em ao menos três fontes. As notas são padronizadas e a média vira o IPC. Por ser percepção, o índice reage a escândalos e à cobertura da imprensa, e não só à corrupção real.
Quem publica
A Transparência Internacional, organização sediada em Berlim com capítulos em mais de cem países, publica o índice desde 1995. Publica também o Barômetro Global da Corrupção, com pesquisas diretas à população sobre pagamento de propina.
Onde o Brasil fica
O Brasil teve 34 pontos em 2024 e ficou na 107ª posição entre 180 países, a pior nota de sua série, abaixo da média mundial e da média regional. A nota caiu de 43, em 2012, com os escândalos da Lava Jato, a reação a ela e o enfraquecimento de órgãos de controle apontados pela organização. O Brasil está empatado com países como Argélia e Malawi.
Limites e críticas
- Mede percepção: um país onde a corrupção é descoberta e punida pode parecer pior do que um onde ela é escondida
- As fontes são executivos e especialistas, e não a população
- Não capta corrupção privada nem a “legal”, como privilégios por lei
- Mudanças de um ano estão dentro da margem de erro
Como usar
- Use para tendências de longo prazo, e não para comparar anos vizinhos
- Cruze com o Barômetro, que pergunta à população, e com dados de condenações
- Lembre que escândalo revelado não é o mesmo que corrupção maior
- Veja a lição sobre corrupção para o que funciona contra ela