Debates / Economia e Estado
Crescer pelo mercado interno ou pelas exportações
O país cresce mais vendendo para o próprio povo ou vendendo para fora?
Mercado interno é o que se produz e se vende dentro do país; mercado externo, o que se exporta. O Brasil tem um dos maiores mercados internos do mundo, com mais de 200 milhões de consumidores, e exporta pouco em relação ao tamanho da economia, cerca de 15% a 20% do PIB, contra 40% ou mais na Coreia do Sul, no México e na Alemanha. De 1930 a 1980, o país cresceu voltado para dentro, substituindo importações; desde 1990, oscila entre abrir e proteger. Governos do PT apostaram no consumo interno, com salário mínimo, crédito e transferências; governos liberais, na abertura e nas exportações.
Antes de ler: para que lado você pende?
A posição de cada lado
Apostar no mercado interno
- Com 200 milhões de habitantes, há demanda para sustentar indústria e serviços sem depender de fora
- Salário mínimo, crédito e transferências de renda viraram consumo e tiraram milhões da pobreza nos anos 2000
- Exportar commodities deixa o país refém do preço da soja e do minério e do apetite da China
- Países que cresceram pelo mercado interno, como os Estados Unidos no século XIX, protegeram a indústria nascente
Apostar nas exportações
- Quem exporta é obrigado a competir, e a concorrência força tecnologia e produtividade; quem vende só para dentro se acomoda
- Coreia, Taiwan e China enriqueceram exportando, com metas de exportação como condição para receber proteção
- Crescer pelo consumo sem crescer a produtividade acaba em inflação e em dívida, como de 2011 a 2015
- Uma economia fechada paga mais caro por tudo, de celulares a máquinas, e isso também é perda de renda
Posições gerais. Muita gente concorda em parte com cada lado.
Por que é complexo
- Os dois mercados não se excluem: a Coreia protegeu o mercado interno para construir empresas que depois exportaram
- O Brasil é uma das economias mais fechadas do mundo pelo peso do comércio no PIB, o que surpreende quem acha que o país já é aberto
- Exportar matéria-prima e exportar tecnologia têm efeitos muito diferentes sobre produtividade e salários
- O consumo das famílias é cerca de 60% do PIB; qualquer modelo depende dele, a diferença é se o motor do crescimento vem dele ou da produtividade
O que a lógica e os dados indicam
A evidência comparada favorece quem combinou os dois: usar o mercado interno para construir empresas e exigir delas que exportem. Crescer só pelo consumo, sem produtividade, esgotou-se no Brasil de 2011 a 2015; abrir sem política industrial, nos anos 1990, derrubou a indústria sem criar a nova. O que separa os lados é quem paga a transição: os consumidores, que pagam mais caro pela proteção, ou os trabalhadores dos setores que não resistem à abertura.
Avaliação do site, sujeita a críticas. Evidências novas podem mudar esta avaliação.
E agora, depois de ler?
Subtópicos
- Mercado interno
- A demanda de famílias, empresas e governo dentro do país. Depende de renda, emprego e crédito.
- Mercado externo
- A demanda dos outros países pelo que o Brasil produz. Depende de câmbio, preço das commodities e acordos comerciais.
- Substituição de importações
- O modelo de 1930 a 1980: produzir internamente o que antes se importava, com tarifas e estatais.
- Grau de abertura
- A soma de exportações e importações dividida pelo PIB. No Brasil, fica em torno de 30% a 40%; na Alemanha, passa de 80%.
Perguntas para pensar
- Qual parte é fato, e qual é valor?
- Quem paga o preço de cada opção?
- Eu aceitaria essa regra sem saber em que lugar estaria?
- O que me faria mudar de ideia?
Leia também: Por que o Brasil exporta matéria-prima e importa tecnologia, Globalização: quem ganha e quem perde, Economia básica para entender política.
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